Há uma ideia feita de que «por medida» é sinónimo de luxo desnecessário. E há a ideia contrária, de que tudo em casa deveria ser feito à mão. Nenhuma das duas nos convence. Num atelier de marcenaria aprende-se depressa que a medida não é um capricho: é uma resposta. Umas vezes resolve um problema que nenhuma loja resolve; outras vezes é simplesmente a forma de ter uma peça que conta a história de quem a encomendou. E há casos em que, sinceramente, não compensa.
Este texto é sobre essa fronteira: onde vale a pena chamar um marceneiro, e onde não vale.
O espaço que nenhum catálogo conhece
As casas portuguesas são cheias de recantos. Paredes que não estão a esquio, tetos inclinados em sótãos, vãos de escada desaproveitados, nichos de chaminés antigas, janelas fora do centro. Um móvel de catálogo é desenhado para uma parede ideal que, muitas vezes, não existe na sua sala.
É aqui que o trabalho por medida ganha sentido mais depressa. Uma estante de parede a parede, do chão ao teto, que absorve as irregularidades e parece ter nascido com a casa. Um roupeiro embutido num vão estreito. Um banco de janela com arrumação por baixo. Arrumação debaixo de uma escada. São peças em que cada centímetro conta, e em que a diferença entre «quase cabe» e «encaixa» é toda a diferença.
Peças que se usam todos os dias, durante décadas
Há móveis que sofrem: a mesa de jantar onde se come, se trabalha e se fazem os trabalhos de casa; a cama; a cómoda cujas gavetas abrem e fecham milhares de vezes; a escada que se sobe e desce todos os dias. Nestas peças, a qualidade da construção sente-se ao fim de poucos anos.
Em madeira maciça, com ligações bem feitas — samblagens, encaixes, cavilhas, o vocabulário antigo da marcenaria — estas peças não só aguentam como podem ser reparadas e renovadas. Quando se pensa no custo de um móvel dividido pelos anos de uso, é muitas vezes aqui que o trabalho por medida se justifica melhor.
Quando a peça tem de dizer alguma coisa
Nem tudo é função. Há quem queira uma peça que seja o centro de uma sala: um aparador com um veio de nogueira escolhido tábua a tábua, uma mesa de entrada com uma forma que não existe em lado nenhum, um painel de palhinha num móvel que mistura o tradicional com o contemporâneo. Aqui entra o lado de móvel de autor: a peça é desenhada para aquela casa e para aquela pessoa, e o desenho é tão importante como a madeira.
Para arquitetos, designers e decoradores, é também a forma de levar um projeto até ao fim sem cedências: o móvel que estava no desenho, com as proporções do desenho, e não o mais parecido que se encontrou.
O que provavelmente não precisa de ser por medida
Sejamos francos. Se precisa de uma solução rápida e temporária — uma casa arrendada por pouco tempo, um quarto de criança que vai mudar daqui a dois anos — um móvel por medida em madeira maciça talvez não seja a escolha certa. Também peças muito standard, que existem em boa qualidade feitas em série (uma cadeira de desenho clássico, por exemplo), raramente justificam ser reinventadas.
A pergunta útil é: esta peça vai resolver um problema de espaço, vai ser muito usada ou vai ficar muitos anos? Se a resposta for «sim» a pelo menos uma, vale a pena pelo menos pedir um orçamento e comparar.
Como preparar o pedido
Não precisa de um desenho técnico para começar. Ajuda muito trazer:
- Medidas aproximadas do espaço, sempre na ordem altura x largura x profundidade — e, se possível, fotografias da parede, do chão e do teto;
- Para que vai servir a peça: livros, roupa, loiça, discos, ferramentas — o peso e o tipo de objetos mudam a construção;
- Referências de que gosta: fotografias, revistas, um móvel antigo da família;
- Preferências de madeira e de acabamento, se já as tiver (se não tiver, é para isso que conversamos).
Com isto, o primeiro esboço deixa de ser um tiro no escuro e passa a ser uma conversa sobre a sua casa.
Vamos conversar sobre o seu projeto?
Tem um recanto que nunca soube aproveitar, ou um desenho à espera de ser construído? Seja cliente particular, seja arquiteto, designer ou decorador, teremos gosto em pensar a peça consigo. Peça o seu orçamento através do nosso formulário de pedido de orçamento ou envie-nos uma mensagem no Instagram @carpintarialinos. Do primeiro esboço ao último acabamento, cada peça é pensada para durar.


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